Ator e Roteirista tentam explicar alguma coisas sobre “Prometheus”

Falaaa Cineiro, pelo visto tanta gente ficou na dúvida sobre todos os acontecimentos no filme “Prometheus” que o site Gizmodo.com foi falar com o ator (Logan Marshall-Green) que interpreta o cientista Charlie Holloway,  e até o ROTEIRISTA do filme (Damon Lindelof) pra saber qual é a idéia do infeliz em não explicar porra nenhuma no final.

Seguinte, a entrevista contém SPOILERS, então se você ainda não viu o filme, e mesmo sabendo que será uma decepção, não quer saber o que acontece, não leia.

Qual foi a motivação de David para “infectar” Holloway com aquela gosma escura?

Damon Lindelof: Eu diria que a resposta curta é: ele foi programado assim. Na cena anterior a essa, ele está falando com Weyland (apesar de não sabermos disso no momento) e está dizendo a Weyland que isso é uma perda de tempo. Que eles não encontraram nada na missão além do líquido nos recipientes. E Weyland supostamente diz a ele, “Bem, o que tem nos recipientes?” E David responde, “Eu não tenho certeza, nós temos que fazer alguns experimentos.” E Weyland supostamente diz, “O que aconteceria se você colocasse em uma pessoa?” E David responde “Eu não sei, irei descobrir.” Ele não sabe que está envenenando Holloway, ele pergunta ao cientista, “O que você estaria disposto a fazer para conseguir as respostas para suas perguntas?” Holloway responde “Qualquer coisa.” E isso basicamente substitui qualquer programação de ética que David siga, permitindo a ele contaminar a bebida.

Logan Marshall-Green [O ator que interpretou Holloway]: Minha definição de um robô, ou pelo menos um robô auto-sustentável, é algo que está lá para coletar informações. Tanta informação e dados quanto for possível. Para se desenvolver com esses dados. A única maneira que ele pode usar para crescer é usar esses dados para se desenvolver. Você viu o David coletando dados instantaneamente. Eu acho que provavelmente ele chegou num beco sem saída (por assim dizer) com esta missão. Em um primeiro momento, todos chegam a um beco sem saída com essa missão. E ao voltar até seu pai, Weyland, ele ouve que precisa “se esforçar mais”. Eu acho que ele entende que irá ter que sacrificar uma vida humana para conseguir coletar dados.

Porque Holloway é tão babaca com David?

Logan Marshall-Green: Isso é algo que eu queria acrescentar e realmente gostei. Michael e eu nos divertimos muito com isso. É algo que eu não tenho visto em ficção científica, que é uma sensação de racismo ou intolerância com androides ou vidas sintéticas. Eu acho que vida sintética é inevitável, e junto com isso o preconceito e o racismo (se preferir definir assim) será inevitável também. Embora eu não possa abordar o papel definindo meu personagem como racista ou preconceituoso. Certamente eu posso agora olhar para trás e explicar o desdém por Michael assim. Eu meio que adorei… essa reflexão social sobre um ser do futuro, um androide sintético.

David estava assistindo repetidamente Lawrence da Arábia enquanto a tripulação do Prometheus estava em hibernação por dois anos, por que esse filme?

Lindelof: Ridley e eu começamos a conversar sobre Lawrence da Arábia por algum motivo, bem no começo do processo. Eu sou um grande fã de David Lean – nós estávamos falando sobre A Ponte do Rio Kwai e Peter O’Toole etc, etc, então nós começamos a falar sobre como seria se David fosse obcecado com Lawrence da Arábia? E por que ele seria obcecado por Lawrence da Arábia? E eu acho que a resposta curta é: Lawrence é um estranho em uma terra estranha. Um homem branco, que é totalmente diferente, se torna a figura central do filme, independente de suas diferenças. Isso parecia levemente analógico ao que queríamos fazer com David.

Qual o motivo da obsessão de Lindelof por homens ricos e velhos que destroem a vida dos filhos?

Lindelof: Bem, eu tenho que dizer que eu não tive nenhuma experiência com homens ricos que arruinaram minha vida. Alguns homens menos ricos foram exemplos maravilhosos. Mas eu acho que o personagem clássico “homem velho e rico com uma intenção nefasta” é um personagem clássico tanto na ficção científica quanto em outros gêneros. E é bom demais para conseguir resistir.

Nós também vimos Lindelof abordar o tema parto antes, especificamente em mulheres perdendo a capacidade de ter filhos ou tendo-os de uma maneira meio deturpada em Lost. Por que foi importante entrar no tema de gravidez humana em Prometheus?

Lindelof: Eu acho que a ideia de fertilidade já estava ligada ao Alien original. Esta ideia de, por falta de maneira melhor pra explicar, de um espermatozoide e um óvulo precisar um do outro para formar uma nova vida. E nesta metáfora gestacional, o ser humano é o óvulo e o esperma é representado (no Alien original) por um facehugger. E em Prometheus é representado de uma maneira diferente. Eu apenas acho que a ideia de pegar estas três gerações de criadores e criaturas (os Engenheiros que nos criaram, passando por nós, e a nossa criação sintética sendo o robô David). Nós vamos pegar estas três gerações, trancar em um quarto e assisti-las fazendo sexo uma com a outra. E vamos ver o que sai. Esse foi o experimento que Prometheus estava fazendo. E independente de ter sido bem sucedido ou um fracasso, com certeza foi divertido escrever.

Eles realmente fizeram uma motivação para os Engenheiros, ou supostamente é para continuar ambíguo? Eles serão um mistério para sempre, ou nós poderemos entendê-los se prestarmos bastante atenção? Foi intencional ou eles acharam que ofereceram dicas suficientes para o telespectador dedicado, onde nunca saberemos com certeza o que os alienígenas queriam?

Lindelof: Ridley definitivamente tinha respostas muito específicas para estas questões e nós conversamos muito sobre como queríamos colocar estas respostas em Prometheus. E se queríamos ou não contá-las. É meio ofensivo dizer “bem, se você gostou desse filme, nós iremos dar o que você quer na sequência dele.” Então você tem que dar uma oportunidade justa para quem está assistindo deduzir baseado nas informações deste filme. Mas eu sinto que este filme tem as ideias fundamentais por trás do motivo pelo qual os Engenheiros queriam nos exterminar. Se esta é a pergunta que você está procurando. O filme faz a pergunta, nós fomos criados por estes seres? E responde essa pergunta com clareza. Mas ao desenvolver esta resposta, surge uma nova pergunta, que é, se eles nos criaram, por que mudaram de ideia? Esta é a pergunta que Shaw está pedindo no final do filme, aquela que ela quer que seja respondida. Eu acho que existe várias pistas neste filme que deixamos para você adivinhar o motivo. Mas não o suficiente para prejudicar o que Shaw pode descobrir quando ela for conversar por si mesma com as criaturas.

Prometheus é anti-ciência?

Lindelof: Definitivamente não é anti-ciência. Na verdade, eu acho que é pró-ciência porque ele promove a ideia que parte da nossa própria programação como seres humanos, nós somos de muitas formas tão governados por nossa própria programação quanto David é. Nós temos que buscar as respostas para essas perguntas, mesmo que saibamos que nunca ficaremos satisfeitos com as respostas. Nós ficamos curiosos sobre o que acontece quando morremos. Nós precisamos saber de onde viemos. Qual o sentido da vida. Que tipo de vida deveríamos levar. Todas essas são perguntas não científicas, filosóficas, religiosas e espirituais. Mas a ideia de que nós podemos encontrar algum conforto na ciência, que a ciência pode nos dar uma espécie de caminho para seguir e entender as nossas raízes. Eu acho que nós estamos melhor agora que entendemos que somos descendentes de macacos do que se estivéssemos lendo as explicações de livros que foram escrito há 2000 anos sobre nossas próprias origens.

Eu definitivamente sou pró-ciência, mas acredito que o filme promove a ideia como: Os dois podem viver lado-a-lado em harmonia? É possível ser um cientista e manter a fé no desconhecido? E você é recompensado por ter fé cega? Eu acho que o filme está fazendo um meta-comentário ao mostrar que Shaw é a única com fé a bordo, e ela é a única que sobrevive. Então o que estamos tentando dizer com isso?

No Gizmodo ainda existem mais algumas resposta a prguntas que todos ainda possam ter, Dêem uma olhada lá.

Agora, sinceramente, parece que nem o Damon Lindelof consegue explicar muita coisa. Ele diz a toda hora “tudo tem um motivo” e não diz qual, assim é fácil. Pelo que parece essa pérola vai ter uma continuação, talvez seja por isso que ele não quer explicar absolutamente NADA. Sendo assim espere, porque assim como eu, mesmo sabendo que o filme é ruim, todos vamos assistir um “Prometheu 2”.

E se alguem conseguir, me responda uma pergunta. Se o “Alien” foi criado num futuro distante, como em Alien VS Predador e Alien VS Predador 2 eles estão nos dias atuas na Terra??

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Sobre blogicine

Viciado em cinema, como qualquer pessoa normal.

Publicado em 25/06/2012, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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