Análise: As Aventuras de Pi

É indescritível o que senti quando o longa termina. Por mais que eu esperasse o melhor de “As Aventuras de Pi” fui pego de surpresa ao me ver emocionado com o fim da trama, surpresa tanta que fui em completo silêncio no carro do cinema pra casa pensando em todos os aspectos deste roteiro, que somente posso descrever como genial. Com passagens sutis e uma inocência que aos poucos é retirada do personagem principal, e ao mesmo tempo do publico, a história se desenrola sobre o garoto Pi Patel (Suraj Sharma), um adolescente indiano que apos um naufrágio e com um bote e alguns suprimentos tenta sobreviver em meio ao mar aberto na companhia do outro único sobrevivente, um Tigre de Bengala. Talvez como ele sobrevive a tal tragédia seja quase dispensável dentro do universo criado por Yann Martel, autor do livro homônimo que dá origem ao filme, os acontecimentos se desenrolam de maneira a criar um paradigma entre realidade/fé e mostrar através de  uma forte simbologia que fé e religião não estão necessariamente ligadas da maneira que somos doutrinado as crer.

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Direção primorosa de Ang Lee, que certamente apagará “Hulk” de seu passado, e uma fotografia que somente vou descrever como arte. O uso sem precedentes do 3D prova que essa “nova tecnologia” não é somente um artifício de entretenimento em filmes de ação, mas também pode trazer algo mais em um filme que tenha alma. Uma vez vi uma passagem de um fotógrafo de cinema chamado Oliver Stapleton que disse:

“O 3D fala: ‘olhe para mim, sou um filme!’, enquanto o 2D simplesmente diz ‘era uma vez…'”

Concordava com ele até ver “As Aventuras de Pi”, um filme em 3D que diz “era um vez” e muito mais.

Sinceramente um filme completo, onde o único a quem fica a cargo da adaptação do nome original, “Life of Pi” a tradução livre (A Vida de Pi) refletiria muito mais a alma do longa, que na verdade logo no início passa de uma simples “aventura” à algo muito maior, um ensinamento de que não importa em como acreditamos, mas que simplesmente escolhemos acreditar.

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Viciado em cinema, como qualquer pessoa normal.

Publicado em 03/01/2013, em Análises e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Vi uma matéria na tv dizendo que esse livro é plagio de um livro brasileiro, e que esta rolando até processo

    • Pois é Lucas, o próprio Yann Martel (autor de Life of Pi) reconheceu que pra escrever sua obra, baseou-se em “Max e os Felinos” escrito pelo brasileiro Moacyr Scliar, tanto que no prefacio do livro tem uma nota de agradecimento ao brasileiro. Bom, tomara que eles se acertem, mas isso de forma alguma tira o brilho do filme, que sem sombra de duvidas é um dos melhores de 2012.
      Abraço!

  2. Fotografia indescritivelmente maravilhosa!!! 2 horas e 20 minutos de prazer, alegria e um filme belíssimo, uma história arrebatadora, um visual fantástico, um dos melhores filmes que já vi na vida e com a beleza do 3D num cinema novo de tela gigante da minha cidade (Campinas) me fez voltar a ser uma criança encantada e prazerosa em estar numa sala de cinema com imagens e história pra guardar pelo resto da vida, super indico assistir esse filme em uma sala 3D de qualidade, vocês viverão uma experiência inesquecível!!! Filmes como esse que nos fazem amar a sétima arte!!!

  3. Voltei a me emocionar quando li as primeiras linhas do texto crítico, pois foi exatamente a mesma sensação que tive quando sai da sala de cinema e as lágrimas foram descendo sem que eu percebesse… Quando optei assistir ao filme, sequer li a sinopse (e talvez, por isso minha grata surpresa por ver tão belos roteiros e imagens). Por outro lado, me impressionou como tratar sobre fé e religião sem ofensas e principalmente sobre tolerância religiosa. Adicionei à minha galeria de filmes inesquecíveis.

  4. Olá! Muito boa a crítica… tenho um blog tbm, e postei uma crítica a respeito do mesmo filme!

    http://vinumfilme.blogspot.com.br/2013/01/as-aventuras-de-pi.html

    Espero que curtam!

  5. Maria Netto

    É um filme que emociona pois mostra que a vontade de viver e a fé são muito poderosas, tem uma fotografia belíssima , os efeitos de 3D são maravilhosos, saí completamente emocionada do cinema e vou recomendá-lo para que o vejam. Acertaram quando fizeram as várias indicações para o Oscar.

  6. shirley silva

    amei o filme, vi na escola e sinceramente me emocionei na hora que ele tem que contar uma outra historia para que os dois homens enviados ate ele para descobrir o motivo do naufragio acreditem nele e alias fala sobre a vontade de viver e a fé dele

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